O que é real e o que é hype no metaverso

Algumas cabeças não podem esperar para vestirem seus dispositivos de realidade virtual e viverem vidas paralelas no mundo digital. Outras, olham desconfiadas e temem um futuro digital distópico. Neste momento, várias marcas estão transformando ou lançando produtos em martketplaces de NFT, como o OpenSea, sem uma estratégia clara em relação a isso. A maioria apenas segue a moda do momento e tenta surfar a onda.

É difícil separar o que é hype do que é uma tendência e uma possibilidade real de ganho. Há muita especulação em torno do metaverso e o quanto este será de fato absorvido como cultura popular. Na década de 90, quando ainda poucos de fato compreendiam o que era a Web, a imaginação correu solta, culminando na bolha das ponto com. Mas o fato é que, muito do que era tido como hype naquela época, hoje faz parte das nossas vidas diárias. Quem imaginaria que poderíamos enfrentar uma pandemia, trabalhando, estudando e consumindo através do digital?

Então, como podemos encarar o metaverso com a dose correta de ceticismo, sem perder oportunidades que podem estar brotando discretamente? Façam suas apostas!

O metaverso é aqui

Embora atualmente o metaverso seja um ambiente apartado, sua popularidade virá conforme ele se funde à realidade. Muito do que é feito no ambiente digital, na verdade consiste na produção de cópias do mundo físico, como mapas de trânsito, projetos de prédios, pontes, carros, etc. São modelos em 3D que, além de adornarem os ambientes virtuais, podem ser úteis para ilustrar, educar, instruir, projetar, simular. Ao usar seu GPS para encontrar um lugar, o metaverso fornecerá modelos em 3D que tornarão sua compreensão do trajeto muito mais imersiva e rica. Ao abrir o capô do seu carro, modelos em 3D do metaverso poderão apontar como uma manutenção deve ser feita. Ao considerar uma alteração em um cruzamento, o metaverso combinado com Big Data poderá simular as consequências em toda a cidade. Portanto, entender o metaverso como algo limitado ao digital é uma visão míope.

Dê adeus ao smartphone e vista seus óculos

A onipresença da Internet, o avanço do IoT e da capacidade computacional finalmente cumprirão uma promessa antiga: a de que a tecnologia será cada vez mais invisível e imperceptível, pois estará mesclada às nossas atividades básicas. Por que manusear seu smartphone para enviar mensagens se você pode fazê-lo por comandos de voz e confirmar a operação em uma projeção de realidade aumentada gerada pelos seus óculos? Por que fixar seu GPS na sua bicicleta, se poderá visualizar setas e instruções virtualmente projetadas nas ruas a sua frente? Os capacetes de realidade virtual podem ser desconfortáveis e pouco práticos para o dia a dia. Porém, óculos menores, leves e inteligentes poderão te colocar no metaverso com conforto e praticidade. Ou então, podem trazer do metaverso apenas aquilo que você realmente precisa no momento. Talvez seja o momento adequado para o Google resgatar um projeto abandonado: o Google Glass.

A perfeita mistura entre o marketing digital e o real

Entre os jovens, às mídias sociais, jogos e metaversos são claramente um sucesso. A aposta de muitos é que estes hábitos permanecerão pela vida adulta desta nova geração. Bem… Provavelmente isso é uma verdade incompleta. Afinal, gostos e lazeres da juventude influem no desenvolvimento de nossas habilidades (motoras, sociais, lógicas, etc.), mas gradualmente são substituídos por gostos e lazeres mais seniores.

Hoje, entusiastas da realidade alternativa e céticos tecnofóbicos formam dois grupos claramente distintos e opostos. Enquanto os primeiros vislumbram um mundo real maravilhosamente substituído por múltiplas versões de metaversos, os segundos temem a completa distopia digital totalitária, pessoas alienadas em suas bolhas de subsistência. No entanto, o mais provável é grupos intermediários predominem, com diferente graus de adoção do metaverso. Alguns serão heavy-users, outros serão usuários eventuais. Alguns conectarão para trabalho e outros para lazer. Alguns buscarão experiências cada vez mais imersivas, mas outros preferirão se manter com os pés no chão. O provável é que o marketing terá de permear todas as camadas de adoção, tratar todos os dados em bases unificadas e proporcionar uma experiência onipresente e variada, transcendendo o digital, tal qual o conceito de omnichannel no varejo.

Construa seu patrimônio digital

Quero convidá-lo a expandir sua percepção a respeito das mudanças culturais que foram geradas pelo digital. Pense em todos os memes que se tornaram brincadeiras populares, nos influenciadores digitais mais famosos que atores e músicos, nas estranhas comunidades que ganharam força (como os terraplanistas), nas pessoas que se apaixonaram através de relacionamentos virtuais e hoje formam uma família. Pense no crescimento do mercado de games e em toda a subcultura oriunda desse universo. Considere o trabalho remoto, o distanciamento social e o fortalecimento dos relacionamentos que existem apenas virtualmente.

Agora, feita esta retrospectiva, fica um pouco mais fácil imaginar um futuro onde as pessoas desejarão ter itens únicos e distintivos, mesmo que virtualmente. Conforme os relacionamentos digitais e seus laços se tornam mais fortes, a tendência é que nossa identidade individual e corporativa no mundo digital se torne mais importante. Nesse sentido, talvez no futuro você considere adquirir um item virtual exclusivo assinado por um designer famoso. Marcas de luxo já estão analisando esta possibilidade. Status, escassez, FOMO e as preocupações com o meio ambiente apontam favoravelmente para o crescimento deste mercado. Tais produtos ainda podem ser relacionados a causas sociais, ações beneficentes, ideologias, tribos musicais, estilos de vida, exatamente como qualquer outro produto do mundo real. Poderão ser símbolos e títulos virtuais que abrem portas para clubes, conteúdos e espaços exclusivos.

Retornamos ao ponto de partida! Por estes motivos, as plataformas e os empreendedores que prosperarão serão os que conseguirem o melhor equilíbrio entre os utópicos fanáticos pelo metaverso e aqueles que caçoam da ideia de adquirir produtos virtuais. Um mundo novo está chegando. Será novamente um momento incrível de descoberta, promissor para os dispostos a correr uma boa dose de risco calculado.

Daniel Bastreghi

Daniel Bastreghi

Daniel Bastreghi é sócio e consultor em marketing e tecnologia na DRB.MKT. É criador da ferramenta de planejamento Marketing Strategy Canvas, autor do livro “Os 5 fatores de sucesso na Internet”. Iniciou sua carreira como desenvolvedor de sistemas. Foi programador e coordenador de projetos. Participou do desenvolvimento de websites institucionais, portais, hotsites, comércios eletrônicos, CRMs, softwares de gerenciamento de e-mail marketing, games, entre outros, para empresas como Electrolux, Hipermarcas, Bayer Schering, etc.

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